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Festa do Lançamento do Coletivo Cultcha Julho 10, 2009

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Anunciado na manhã de sábado, 4 de julho de 2009, por uma REPORTAGEM DO CORREIO BRAZILIENSE, as bandas River Phoenix, Valdez e High High Suicide fizeram a primeira rodada de lançamento do coletivo cultural Cultcha, no Botiquim Blues em Taguatinga. Formado com o objetivo de promover maior integração entre bandas e ressuscitar o cenário póstumo do rock em Brasília, o coletivo fez seu primeiro show para cerca de 100 pessoas que compareceram a uma noite surpreendente de muito rock n’ roll. Os 50 primeiros que chegaram, levaram um cd coletânea com as seis bandas que participam do grupo.

Marcado para as 22h, o show só começou as 23.20h. Enquanto isso, as pessoas iam chegando e pedindo uma cerveja, os músicos checando os equipamentos e André Kalil e Marcos Motosierra, vocalista da banda uruguaia Motosierra que mais tarde foi a carta na manga da banda convidada High High Suicide, discotecava com MC5, Rolling Stones e outros sons dos anos 70. O bar freqüentemente recebe bandas de rock, blues e jazz, estilos quais personalizam o ambiente. Com mesas, cadeiras e paredes vermelhas que lembram um saloon, o bar exibe quadros de vários músicos do jazz como Louis Amostrong, Billie Holiday, Frederic Rolland, além de Beatles e Bob Dylan.

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O trio do River Phoenix foi o primeiro a subir ao palco. Assim que começaram, notava-se uma peculiaridade. Ao invés da melodia e harmonia, a matéria prima moldada pela banda é o barulho. Com afinação em Eb e C#, pistas de baixo pulsantes, horas variando em escalas de jazz, baterista de pegada forte e linear, vocais gritados aos berros e guitarra suja e dissonante. Apesar de curto, o show mais parecia uma compilação de jam sessions bem ensaiadas. Diversos efeitos e ruídos (delays, flangers) são usados em solos de guitarra para constantes improvisos experimentais. Algumas canções são gritadas em inglês, outras em português. As influencias de punk, grunge e metal são presentes nas músicas bem dosadas. A banda mostra identidade.

André Morale, guitarra/vocal do High High Suicide ficou surpreso com o som da banda que não conhecia. Para ele, o show foi “fantástico” e teve grande aceitação, apesar da primeira reação do publico com um som diferente, é de ficar quieto ou prestar atenção. “É raro ver um som desses, existem poucas bandas de stoner no Brasil, em Brasília então”, diz o músico. Ele também destaca a importância da integração entre bandas principalmente em Brasília, onde ocorre muita “rotulagem”, o que acaba por segregar mais ainda a cena. “Isso acontece até com bandas amigas. ‘a gente toca metal, ah eu toco death, ou rock gaúcho ou indie rock’, o que interessa é fazer rock de coração”, afirma Morale.

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Em seguida foi a vez do segundo trio da noite, que também se apresentou na semana anterior, o Valdez. A banda que começou com a intro de Moby Dick (Led Zeppelin), tem influência em várias vertentes do rock n’ roll e tocou um repertorio bastante variado. Músicas pesadas, instrumentais e dançantes, quando não bastava faziam paradinhas e recomeçavam a musica com outra pegada. Bastante quebrada, a batida precisa e criativa da bateria faziam o publico pegar fogo junto aos solos incendiários de guitarra em penta tônica e a presença de palco contagiante do baixista. O vocal seguia preenchendo as canções quase falando e nos refrões pondo mais vida na voz.

“Ahhhh, ohhh, blurulurulu (imita a bateria), Ahhhh…”, canta empolgado Rafael Montanha, 19 anos, atendente do bar há 4 meses, ao responder qual musica mais gostou. ”Já é uma banda que vem aqui há algum tempo”, completa. Assim como ele, o público delirou em “Lux Interior”, uma canção surf music. Marco Nugoli, 50 anos, produtor de shows do bar, diz que o show o fez rever seus conceitos sobre ela. “A primeira vez que eu vi detestei a banda e todas as músicas, e hoje o show foi do caramba, adorei”.

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Eram 2h da manhã quando o High High Suicides subiu para tocar. Além de terem pegado o equipamento um pouco desgastado, ao ligarem duas guitarras e três microfones o som começou a estourar. O público que se acumulou para ver o show do quarteto foi indo embora do meio pro final e somente cerca de 30 pessoas ficaram para ver o melhor da noite. Gustavo Bill, guitarrista da banda, reclamou que o som da banda foi prejudicado por que as bandas anteriores puderam usar um amplificador de baixo ampeg e sua banda somente um staner. “É equipamento igual pra todo mundo ou não é?”, disse Bill.

Apesar de tudo o show foi divertido e energético. “como somos a última banda, começamos a beber desde cedo. Quem aí está bêbado?”, brinca o vocal com a platéia. O grupo se inspira em bandas latino-americanas e bandas de rock n’ roll garage, como Hellacopters, Stooges e compõe em inglês e português. A bateria simples e rápida lembra a de Mark Ramone pela habilidade com o chimbal. O baixista e guitarrista fazem backin vocais em algumas músicas e na maioria, todos repetem o refrão que é o forte da banda. Os acordes que intercalam com as vozes frenéticas durante os versos, chegam ao ápice nos refrões. Como em “Sex Games”, onde fazem o hino gritando “The dick is on fire! The pussy is on fire! The ass is on fireeeeee!!!”.

Após o show, Marcos Motosierra tira a blusa e sobe no palco para fazer a participação especial com o High High Suicide, cantando musicas de sua banda. A performance foi um legítimo espetáculo, assim como os shows de punk da década de 70. Vestido com jaqueta jeans, calça torando e cheio de marra, contagiava cada vez mais o público com seus berros e ousadias. Subia na bateria, no balcão do bar, berrava de quatro, colocava o microfone dentro das calças e até pôs o cu para cantar. Certamente se Iggy algum dia virar santo, vai dispor de um corpo fiel onde baixar. No auge do show, a galera invade o palco e todos cantam juntos “I wanna be your dog”, do Stooges.
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Engana-se quem pensa que o produtor da casa achou ruim. Para Nugoli a noite valeu a pena. “Seria interessante fazer a cada dois meses outros eventos com o coletivo, sempre damos espaço para bandas autorais”, explica. E emenda surpreso: “Estou até pensando em chamar a banda do Motosierra para tocar aqui”, avisa o produtor. Mas chama atenção para um problema comum entre as bandas independentes. “Algumas acham que fazer rock é aumentar o volume. Depois de certo nível, vira barulho e não da pra entender nada, isso tira o potencial da banda”, lembra ele.

O bar fechou às 4h da manhã, quando os sobreviventes cansaram de bailar ao som de Gypsy Kings e do nostálgico Michael Jackson, discotecado por Motosierra. Em seu blog, o uruguaio relembra como foi a noite. “Me sentí en casa. Público muy rockero, humilde y solidario. Y con muchas ganas de hacer funcionar las cosas, a pesar de la falta de recursos y medios. Las bandas fueron la mayor sorpresa.”Além disso, descreve sua visita a Taguatinga como “uma experiência inesquecível” e um lugar que deseja manter mais contatos que em São Paulo, onde vive. “Brasília, y especialmente Taguatinga, son el ejemplo de cómo hacer las cosas con honestidad y humildad, con esfuerzo y perseverancia”, escreve Motosierra.

** Todas as fotos que ilustram a matéria foram clicadas por Andreia Cristinne Aguiar, que faz parte do Coletivo Cultcha.
A sessão completa pode ser conferida no orkut do Coletivo Cultcha (http://www.orkut.com.br/Main#Profile.aspx?uid=427202438550362640)

Acidente Interrompe a Volta dos que Não Foram Junho 17, 2009

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Casal bate o carro depois de terem escapado do vôo 447

Casal bate o carro depois de terem escapado do vôo 447

Após ter ganhado atenção especial nos noticiários de todo o mundo, a tragédia aérea dos 228 passageiros que caíram no Oceano Atlântico a bordo do vôo 447 da Air France, é cada vez mais repercutida e especulada pela mídia e pelos especialistas.

Depois que as famílias receberam a noticia do acidente, a imprensa se esforça para espremer cada gota do drama em que vive os filhos, pais e parentes daqueles que novamente voltaram para o céu.

Mas não foram somente os familiares das vitimas que foram abordados. Os “sobreviventes” que não embarcaram no vôo para a eternidade, também puderam expressar a sensação de ganhar na loteria ao terem escapado da morte.

Foi o caso da italiana Johanna Ganthaler, uma aposentada que passava as férias no Brasil com seu marido, Kurt Ganthaler. O casal por sorte de um atraso perdeu o vôo no dia em que pretendiam voltar para casa. Porém, a morte não gostou nada nada de não poder ter levado mais dois, então resolveu pregar-lhes uma peça.

Johanna e seu marido sofreram um acidente de carro a caminho de casa, segundo o jornal da The Times da Grã-Bretanha, o carro em que os dois estavam entrou na pista contrária de uma rodovia em Kufstein, na Áustria, e bateram de frente em um caminhão. Kurt ficou seriamente ferido e Johanna morreu.

Kurt que conseguiu escapar mais uma vez da morte, certamente irá sentir falta de sua fiel companheira de risco. Ao menos, a vítima que contaria ao todo de 229 mortos no vôo 447 da Air France, será lembrada nos números das estatísticas de acidente de transito.

>>>>>Confira a notícia no site g1 da globo

Presunto de Peru Março 2, 2009

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—João Paulo não come isso não, disse minha avó.

Na frente da geladeira estava eu, com fome, parado pensando na morte da bezerra. Vejo a porta, as prateleiras, e puxo uma gaveta. Abro a gaveta e vejo duas fatias de presunto rosas como um porco. Era presunto de peru. Pego-as e ouço minha avó dizer.

— não vai comer isso, já está ai tem muito tempo, explicou.

Coitado do peru, aliás, do presunto. Ali coitado, sozinho tão e solitário, não havia nenhum bacon, sobre coxa ou peito para lhe consolar. Peguei-o e abri o plástico. O plástico estava suado feito um porco, frio e gelado. Eram duas fatias rosinhas recheadas de proteína peruana, com nervinhos brancos e ….fungo? Sim; e mesmo assim, as desejei como um leão deseja um veado de tanta fome. O cheiro me levava pra dentro de um abate.

Foi ai que algum espírito de porco me roubou a mente. Não imaginei do veado ensangüentado na boca do leão, mas em um abatedouro. E de tabela, o peru sendo esfaqueado gritando glugluglu-gluglulgu. Fui tomado pela sensibilidade. E se eu fosse um peru? Já pensou se os perus comecem os humanos ao invés do que acontece? Ou pior, Se alguém fizesse algo de mal com o meu peru. Senti vontade de nunca mais na vida financiar sofrimento animal.

De repente, volto àquela cena da minha avó na cozinha me olhando por trás dos óculos, com o peru na mão, digo; o presunto na mão. Senti o cheiro novamente daquela carne fria e lembrei-me daquele veado, agora sendo despedaçado pelo leão. No mesmo instante sem hesitar, mordi o presunto. Comi a fatia numa bocada só. Nhoc Nhoc Nhoc Nhoc. A satisfação era tamanha que um sorriso abriu minha boca mostrando os dentes mastigando a fatia de carne. Depois foi a outra, numa só bocada também. Menos duas fatias peruanas póliproteicas solitárias e ‘’fungnolentas’’ no mundo.

—João Paulo, isso vai te dar dor de barriga menino! Gritou minha avó.

Olhei com o desprezo de um onívoro que olha para um veagan dizendo: “Aiiii, depois que eu vi aquele vídeo no youtube daqueles homens fazendo os animais sofrerem, parei de comer carne”. Ainda pensei em dizer algo para retrucar, mas sem querer arrotei.

—Bleeerrr…

—Que porqueira é essa João Paulo? Repreendeu-me a veia.

Dei as costas sem falar nada e fui pra sala. Minha tia acabava de chegar de visita.

—Oi tia, disse e acenei.

— Oi meu filho tudo bom? Acabou de acordar foi?

Já ia voltar para o meu quarto, quando ela não podendo deixar de notar, comenta sobre minha cuequinha de caveira.

—E essa cuequinha de caveiras ai? É pra sepultar o difunto é?

…Só não me lembro de ter pensado primeiro no peru ou no presunto.

Shattred Glass Dezembro 5, 2008

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shattered_glassShaterred Glass é um drama do diretor Billy Ray, baseado em fatos reais. O filme conta a historia de Stephen Glass, um jovem jornalista talentoso que trabalha na conceituada revista “The New Republic”. Stephen é querido por todos seus colegas e seu chefe. Porém, um dia, devido a uma intriga hierárquica, seu chefe é substituído por um amigo de trabalho ( Chuck Lane) que não possui tanta popularidade entre seus parceiros da redação

A qualidade dos artigos de Stephen nem sempre correspondiam às novas exigências. Cansado de desempenhar um resultado insuficiente, a ambição lhe sobe à mente. A partir de então, começa a forjar artigos, criando historias, pessoas fictícias, que resultam em verdadeiros furos jornalísticos. Os artigos começam a chamar atenção. Um redator de outra revista se interessa em um artigo especial: Hacker’s Heaven ( paraíso dês Hackers). E começa a pesquisar sobre os fatos. Vendo que os dados não levavam à lugar algum, Chuck Lane recebe um denúncia de que Stephen poderia estar fraudando artigos, então, sua carreira é colocada à prova.

Sempre mostrando resistência, Stephen é desmentido e demitido depois de descobrirem que não só um artigo em especial foi fraudado, mas como 27 dos 41 já publicados pela revista. O filme cita um exemplo real dos desafios e tentações da carreira jornalística, e o quão importante é não faltar com a verdade e a ética.

Como Projetar Aventuras Dezembro 5, 2008

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images_imgdet1882“A Jornada do Escritor: Estruturas Míticas para Escritores” — ( Editora Nova Fronteira, 2006, 2ª edição, autoria de Cristopher Vogler e tradução de Ana Maria Machado,230 páginas). É um guia prático que esclarece todos os mistérios e artimanhas de uma narrativa. Inspirado em um dos livros mais importantes do século XX, “O Herói de Mil Faces”, do antropólogo Joseph Campbell, Vogler desenvolveu, a partir das teorias de Campbell, sobre o monomito, um memorando que propunha a adoção de formulas que remetessem ao “ciclo do herói”, e uma lista de erros a serem evitados. Esse memorando ficou mais conhecido como “A Pratical Guide to The Hero With a Thousand Faces”, em inglês. Sua obra influenciou o trabalho de vários roteiristas e cineastas de Hollywood, inclusive na produção de clássicos da Disney, como “A Bela e a Fera” e “A Pequena Sereia”. Mais tarde, Vogler desenvolveu o trabalho e publicou o livro “A Jornada do Escritor: Estruturas Míticas para Escritores”.

O monomito ou “jornada do herói” é um conceito de jornada cíclica presente em mitos. Para Campbell, todas as histórias estão ligadas por um fio condutor comum. Assim, desde os mitos antigos, passando pelas fábulas até os mais recentes estouros de bilheteria do cinema americano, a humanidade vem contando sempre as mesmas histórias. Partindo dos conceitos de Campbell, Vogler estruturou um esquema semelhante à “jornada do herói” só que mais adequado às narrativas contemporâneas. Ele está dividido em três partes, ou atos: apresentação, conflito e retorno. A apresentação lida com o herói aspirando à sua jornada; o conflito contém as várias aventuras do herói ao longo do seu caminho e o retorno é o momento em que o herói volta para casa com os conhecimentos adquiridos durante sua aventura.

O livro apresenta todos os elementos que constituem uma historia e seu papel. Explica, de forma didática, os mecanismos das regras que fazem funcionar uma história de acordo com uma lógica interna. Além de exemplificar como a técnica do monomito é usada em filmes clássicos como “Titanic”, “O Rei Leão” e “Guerra nas Estrelas”. Ao final de cada capítulo, há sugestões que testam a compreensão do leitor. O livro é composto de duas partes: na primeira, Vogler faz um mapa da jornada, uma revisão do guia; na segunda, um exame mis detalhado dos elementos da jornada do herói.

O guia é muito pratico, de fácil entendimento e não complica as coisas. Realmente é uma ferramenta indispensável para roteiristas, cineastas e escritores. Seus esquemas e ilustrações ajudam a compreender o grau de intensidade que os atos devem conter. O livro é repleto de exemplos de filmes populares, o que o torna mais didático. A forma peculiar de analisar cada arquétipo de herói auxilia na construção de persagens ainda mais ricos e complexos. Porém, o caráter metódico que o livro contem afasta a espiritualidade da origem de como o homem usa a figura do herói para contar historias, e não é mencionada a forma que a alma humana se identifica em relação aos personagens devido ao caráter heróico.

A pérola do Pântano Dezembro 5, 2008

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barack_obama-martin_luther_king_954651“Bem, eu não sei o que virá agora. Teremos dias difíceis pela frente. Mas isso não importa para mim agora porque subi ao topo da montanha. E lá de cima eu enxerguei a terra prometida. É provável que eu não entre lá com vocês. Mas quero que vocês saibam esta noite que nós, como um povo, chegaremos à terra prometida.”

Após terminar seu ultimo e mais importante discurso, o sermão da montanha, o pastor Martin Luther King é assassinado com um tiro no pescoço em 4 de abril de 1968, menos de 24 horas depois de fazer este discurso, em que, para alguns, pressentiu a própria morte. Morre o principal representante da luta pelos direitos civis dos Estados Unidos.

Martin Luther King, coordenou a luta pelos direitos civis por meio da obediência civil não violenta. Orador poderoso, King fazia discursos marcados pela moral religiosa que combinavam a retórica da liberdade com a da justiça social. A luta dele contra o racismo começara havia 15 anos. Já nos anos 50, o pastor estava engajado em movimentos pelos direitos dos negros. Que sofriam com a pobreza, discriminação, segregação e violência policial. A desilusão que se seguiu depois de sua morte causou manifestações em todo país. Os danos foram incalculáveis às esperanças daquela geração que sonhava viver tempos melhores.

Depois de 40 anos da morte de Luther King, a esperança ressurgi com um novo nome, Barack Hussein Obama. Filho de pai africano com mãe americana, criado com um padastro asiático, Obama é o primeiro presidente negro da história dos Estados Unidos. Uma nação marcada pelo racismo e pela segregação que dificilmente elegeria um candidato negro, que carrega Hussein no nome. O país provou que necessita de mudança, e que Obama é sinônimo de esperança.

No inicio de sua campanha, ninguém acreditava nele, nem mesmo o eleitorado negro. Sua campanha começou com verba escassa e falta de apoio. O democrata teria de derrotar as duas máquinas mais poderosas da política americana — a dos Clinton, celebrizada no Partido Democrata por sua influencia partidária — e a direita mais conservadora do partido Republicano, com sua descomunal capacidade de vencer. Sua campanha bateu recorde em arrecadação e comparecimento, com mais de 700 milhões de dólares e 64,1% da população nas urnas. Mobilizou como raramente se viu a juventude americana e fez um uso totalmente eficiente da internet. O democrata ganhou as eleições com 53% dos votos populares contra 46% de seu adversário.

Embora a eleição não represente o final do racismo no país, constitui um avanço significativo para baní-lo das consciências não só nos Estados Unidos, mas em todo o mundo. Sua eleição gerou uma onda de comemorações em todas as partes da Terra, como jamais se viu. Houve festa em Paris, Berlim e também em vários países da África. Obama foi manchete em jornais na Itália, Índia, Japão, Brasil, sem falar nas comemorações nos Estados Unidos por negros, brancos, estrangeiros e imigrantes. A vibração planetária é uma resposta ao final de uma política de intolerância e o começo de uma que está voltada à negociação e a diplomacia.

Porém, não só de esperança é feito o presente, mas também de realidade. Obama terá muitos desafios pela frente. O país esta atolado com uma crise financeira que desliza como uma avalanche para uma profunda recessão. Não há no horizonte nem paz, nem prosperidade. Além da recessão, o país esta afundado com duas guerras que só custeiam mais e mais ao cofre público. As guerras já fazem mais de 4.000 mortos e sugam do orçamento cerca de 12 bilhões mensalmente.

“Negros e brancos americanos foram à guerra pelo direito à terra prometida. Negros e brancos marcharam com Martin Luther King para exigir o fim da segregação. Negros e brancos juntaram as mãos para eleger o primeiro presidente negro do país. O pântano da segregação americana produziu uma pérola luminosa para exaltação da liberdade e da igualdade de oportunidades entre os indivíduos.” — CartaCapital.

Entrevista Com TODD GITLIN Dezembro 5, 2008

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1968 foi um ano marcante. Os diversos conflitos políticos, sociais e culturais repercutiram no mundo inteiro, gerando tensão e instabilidade. Nos Estados Unidos foi o ano mais explosivo da década na guerra do Vietnã, assassinatos, conflitos de gerações, confrontos pela integração racial, feminismo e consumo de drogas.
Todd Gitlin é professor de jornalismo e sociologia na faculdade Columbia, uma das mais conceituadas dos Estados Unidos. Gitlin não só viveu a década e o ano de 68, mas também participou da revolução cultural de que até hoje divide o país. Foi presidente em 1964 do SDS, movimento estudantil que lutava por uma sociedade democrática, um dos mais influentes e radicais movimentos da época, chegando a atingir cerca de 100 mil membros.
Em entrevista dada a Lucas Mendes, em 2008 para Rede Globo, ao ser questionado a respeito do que realmente aconteceu na época, ele responde. Foi a luta entre direita e esquerda. A polarização nos Estados Unidos havia sido impulsionada pelo movimento dos direitos civis. Se imaginarmos os anos 60 com esse movimento, mas sem a Guerra do Vietnã, o desenvolvimento teria sido menos conflituoso”.
Gitlin explica que as guerras culturais que temos hoje são as mesmas daquela época. O que diferencia é que, naquele ano, houve uma erupção de confrontos de imperialistas e “isolacionistas”, de conservadores e de liberais, por causa dessa polarização política.
Ao ser perguntado quem teria sido os verdadeiros vencedores de 1968 e uma comparação entre 68 e 2008, ele diz. De inicio os conservadores, que conseguiram controlar a pressão e se manterem no poder, porém, a longo prazo, foram os liberais que prevaleceram, vieram o avanço das atitudes antiautoritárias e o colapso de instituições tradicionais. A guerra cultural tinha a tendência de se dirigir para uma posição de abertura.
Gitlin diz não ver quase nenhuma semelhança nem conexão entre 68 e 2008, o terreno cultural está muito diferente, aberto e diversificado e que não há nenhuma revolta cultural nos dias de hoje, a tradição política ficou muito diferente e que a tendência em direção à devoção cívica e a virtude republicana da população em geral pouco sobreviveu.

Resenha do livro “1968, O ano que nao terminou” Novembro 21, 2008

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img1“1968: O ano que não terminou “– (Editora Nova Fronteira, 1988, 159 páginas), escrito pelo jornalista Zuenir Ventura. Resultado de uma pesquisa de 10 meses em jornais e revistas, Zuenir fez a reconstituição de um dos anos mais contraditórios e fascinantes de toda a historia. Marcado pelo radicalismo e pela polarização ideológica, 1968 foi palco de revoluções culturais, políticas e sociais em todo o mundo. No Brasil vivia-se a ditadura militar, os estudantes iam às ruas como forma de resistência, protestar e travar combates com a policia. Testemunha e participante desses tempos, Zenuir vai além dos registros jornalísticos em seu romance sem ficção. Apesar do rigor histórico em que os acontecimentos são reconstituídos, ele conta de forma íntima e conceitual uma aventura de toda uma geração.

A história começa num réveillon promovido pelo casal Luís e Heloísa Buarque de Hollanda, à moda de uma revolução comportamental. “O som combinava carnaval com Iê Iê Iê e os trajes se apresentavam variados – smokings, longos, míni saia e roupas hippies de luxo”, escreve o jornalista. Uma premonição do estado de espírito que seria predominante no período. Nem sempre a atitude libertária naquele período era uma prática liberal. A viagem experimental dessa geração resultaria numa série de contradições.

Numa geração onde cada vez mais a juventude era marginalizada pela ditadura, os jovens se tornavam presas fáceis para o pensamento esquerdista. Os pensadores comunistas tinham preferência dentre o público universitário. Nessa época, os best sellers eram Marx, Mao, Guevara e, principalmente, Marcuse, que defendia que as minorias do sistema tinham vocação natural para serem revolucionárias. Antigamente lia-se como hoje em dia se vê televisão. Era o cenário ideal para discussões. A moda era politizar e militar. “O cheiro de gás lacrimogêneo, o coro de ‘’abaixo a ditadura’’ pareciam incorporados à paisagem urbana daqueles tempos”, aponta Zuenir.

Dentro de tantos acontecimentos marcantes do ano, talvez a lendária Passeata dos 100 mil fosse o principal marco simbólico da força estudantil. Resultado de uma série de fatos trágicos que chocaram e indignaram não só o movimento estudantil, mas também a população, a passeata contou com o apoio de vários outros segmentos da sociedade como mães, padres e professores. O primeiro vetor que levou à passeata foi o confronto com a polícia no restaurante Calabouço, que resultaria na morte do jovem Edson Luís. Seria o primeiro incidente que sensibilizou a opinião pública para a luta estudantil. Depois, a repressão da polícia na porta da igreja Candelária indignaria a todos, porém, a sexta-feira sangrenta que levaria a população a tomar partido e entrar na guerra.

Naquele ano a ditadura endurecia. O presidente Costa e Silva assinava o AI-5 em Dezembro numa sexta feira 13. Os jornais registravam como “rumores alarmantes” a possibilidade do ato que anularia os direitos civis dos cidadãos e concentrava todo o poder ao Executivo. Com a proibição da Frente Ampla, movimento político liderado por Juscelino Kubitschek, João Goulart e Carlos Lacerda, tornara-se difícil lutar pela liberdade através do dialogo. Dentre os vários motivos que o presidente foi levado a assinar a medida estavam a rebeldia estudantil e a insubordinação do Congresso Nacional.

“1968: O ano que não terminou” realmente faz jus ao seu titulo de best seller. Zuenir Ventura consegue contar a historia de forma muito íntima e fiel aos fatos históricos. Ao mesmo tempo, passa certa dramaticidade que nos instiga à história. A maneira de contar separadamente os acontecimentos em capítulos distintos amplia a percepção sobre os fatos. O humor e a ironia que Zuenir usa ao comentar um depoimento ou uma situação, aproxima o leitor da história. A apresentação das personagens também merece destaque. Ao citar depoimentos de entrevistas da época, vinte anos atrás o autor faz um paralelo de antes e depois de 68 de alguns personagens, como no caso de Vladimir Palmeira, líder radical da UME na época de 68 e, vinte anos mais tarde, um deputado vitalício que luta em favor do povo.

Pessimismo Novembro 11, 2008

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Recolha-te, sua insignificância

Encare no espelho sua vergonha

Ainda restam esperanças?

Já não bastam as frustrações?

Nem ao menos peca por excesso

Pois se acostumou com o insuficiente

Mais uma vez, ela se foi

Era tão engraçado, mas só era

O sorriso farsante não esconde tua lástima

A intensão ficou clara, és uma piada

És a ideologia utópica nao realizada

Como a decepção cai bem em sua face

Nem raiva sente mais

Nem a ira pulsa o sangue

Nem lição tira da derrota

Volte para o divã da sua tristeza

Retorne ao conforto da sua solidão

Recolha-te, sua insignificância

O terror nao paga passagem Outubro 31, 2008

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A semana parecia começar como outra qualquer. Segunda-feira, despertador, café da manhã, sigo para a faculdade. Desta vez, porém, eu não consegui chegar ao meu destino. No caminho aconteceria algo que mudaria a minha vida profundamente.

6.30 eu pego o ônibus com sono, aquela mesma gente de sempre, a sagrada família que a rotina me concedeu. Sento-me atrás de Dona Matilde que não perdoa e logo cedo começa a fofocar da vida dos outros:

– Pois é querida, hoje em dia o mundo está tão perigoso! Ontem mesmo Geraldina, vizinha lá do prédio da minha mãe foi seqüestrada em plena luz do meio dia, vê se pode?

Dona Matilde é camelô, não há nada que aconteça na feira que não passe aos olhos ou chegue aos ouvidos dessa. Cada ‘’rapa’’ é uma nova aventura. O ônibus inteiro parecia acordar às fofocas da camelô, eu que já estava de saco cheio, saí e fui sentar no fundo.

Foi quando o ônibus parou na parada e subiram três pessoas, Carlinhos e mais dois rapazes que eu nunca tinha visto na vida: usavam capuz, bermuda e um caderno na mão. Um deles se sentou ao lado de uma jovem estudante muito bonita, o outro ao meu. Foi ai que o garoto da frente começou a pentelhar a bela jovem:

– Oi loirinha, sabia que tu ta muito gostosa hoje? O que é que ta faltando pra gente se beijar na boca hein?

– Sai daqui seu drogado!

Foi só ela gritar para o pessoal comprar a briga, quando inesperadamente o garoto saca uma pistola, anuncia o assalto e pede pra que ninguém se mova, grite ou tente alguma coisa, se não a coisa ia ficar feia. Nada adiantou, em meio a gritaria e tumulto ele dispara contra o teto do ônibus e nervoso novamente avisa:

– Vocês devem ta achando que isso aqui é brincadeira! Se não ficarem quietos e calados, vão virar tudo peneira, ta ligado!

No exato momento, o garoto ao meu lado saca uma arma e apontando para os passageiros pede para que dêem tudo que têm. Estava perplexo, paralisado não conseguia me mover de tanto medo, ao apontar a arma para mim respondi gaguejando que não tinha nada e que era apenas um estudante. De repente, o assaltante da frente percebe em meio à confusão, um senhor usando um celular, que provavelmente estaria chamando a policia. Então, sem hesitar, ele dispara duas vezes. A primeira estilhaça o vidro do ônibus, a outra o atinge em cheio no peito. Diante daquela cena, um vigia que por sorte estava no ônibus, notando que o garoto estava distraído, saca a arma e dispara um tiro certeiro na nuca, o assaltante cai agonizando e sangrando.

O ônibus virara um inferno. O sangue quente que escorria sobre o chão, refletia junto aos cacos dos estilhaços o pânico que dominava a mente de cada um ali. O choro, as preces e os gritos acentuavam-se. Já não se destacavam vozes dispersas, mas um só ruído compacto que ecoava todo o ônibus. A tensão corroia os nervos e a apreensão deixava todos ao mesmo tempo paralisados.

O outro assaltante que estava perto de mim, tomado pelo desespero de ver seu parceiro morto, me toma como refém. Senti-me entrar em coma, como se o corpo se entregasse completamente à agonia de esperar freneticamente o resultado de cada instante seguinte. Não conseguia pensar em nada, nem mesmo na morte.

Não demora muito e a polícia chega, seis viaturas cercam o ônibus junto às câmeras, jornalistas e curiosos. O celular do senhor que fora baleado toca. O garoto pega e tremulo começa a negociar com a polícia.

– Alô! É o seguinte, estou com o ônibus lotado de reféns, e vou estourar os miolos de todo mundo se vocês não saírem daqui!

– Calma, calma rapaz, você não vai ganhar nada com isso, só tem pessoas simples como você ai, tem alguém ferido no local?

– Não! –Tem sim! Grita uma senhora aflita – Cala a boca sua desgraçada!

– Rapaz! Por favor, queremos o bem de todos. O ônibus está cercado, não tem para onde fugir. Libere os reféns e saia com as mãos para cima!

– E o que é que eu ganho com isso seu porco fardado hein? Pra manter a cabeça de todo mundo no lugar? Já estou lascado, e não me importo de levar ao menos dois comigo!

– Não! Pelo amor de Deus rapaz, não faça isso! Qual é seu nome?

– João.

– Então João, eu te prometo um advogado para lhe defender no tribunal, mas, por favor, não machuque mais ninguém.

O assaltante pensa melhor e libera os reféns, porém, continua com a arma apontada para minha cabeça.

– Tem mais alguém com você João?

– Tem um mané que vai pagar se vocês não fizerem tudo direitinho.

– Não vai acontecer nada, fique tranqüilo. Seu advogado já esta aqui, agora eu preciso combinar a forma que vocês vão sair daí. O refém vai sair primeiro com a mão na cabeça, depois você sairá também com a mão na cabeça, mas antes você coloca a arma no chão, os policiais vão te revistar e a partir daí, você terá tudo que eu te prometi.

Graças a Deus e a competência dos policiais, o bandido se entrega. O terror chega ao fim, o bandido preso, fui levado ao hospital, porém estava tudo certo. Nunca esquecerei da agonia que passei naquele dia.