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“Hoje tenho dignidade” maio 9, 2011

Posted by joaopaulonevescabral in Sem categoria.
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Ex-viciado conta sua história de luta e vitória. Ele produz vídeo sobre o assunto

Por João Paulo Cabral

Motivado por uma reportagem da série Brasília sem drogas do Jornal de Brasília, José Antônio Filho resolver contar a história dele de ex-viciado em drogas. Atualmente ele trabalha na produção de um vídeo com depoimentos de internos, ex-internos e familiares daqueles que estão ou passaram pela Comunidade Terapêutica Dom Bosco, lugar onde se recuperou. O vídeo tem o objetivo de levar a mensagem de esperança de que o vício tem solução e tratamento. Além disso, sensibilizar autoridades para o problema social.

José Antônio, 51 anos, é aposentado e voluntário na casa de tratamento desde junho de 2006, quando após completar o tratamento, passou a integrar a equipe dos outros voluntários, na missão de resgatar vidas que precisam de ajuda para saírem do pesadelo das drogas.

Os nove meses que passou na Comunidade Terapêutica foram um divisor de águas na vida desse homem que, por causa das drogas, perdeu família, tentou suicídio duas vezes, passou sete anos preso e quase perdeu a vida em várias brigas. “Hoje tenho dignidade”, afirma. “Posso conseguir o que eu quiser, só preciso ser verdadeiro”.

(João Paulo Cabral) Após ler matérias do JBr, da séria sobre as drogas, José resolveu relatar sua história de superação

José é o caçula de seis filhos e viveu a infância na antiga Vila do EPI (atual Ceilândia) até se mudar para Natal (RN), aos 14 anos, para morar com uma tia. Segundo ele, na época a região de Ceilândia era muito violenta e a juventude, de forma geral, marginalizada e alvo de preconceito. Boa parte dos amigos já havia se envolvido com drogas e gangues. E para não ter o mesmo destino dos colegas e se livrar da autoridade da mãe, da qual tinha vergonha por ser alcoólatra, resolveu se mudar. “Achava muito feio mulher beber e não gostava d ser mandado”, diz ele que largou o Ensino Fundamental na 4ª série. “Queria independência”.

Quando chegou a Natal, José queria usar boas roupas, ir a festas, sair com amigos e namorar, como todo jovem. Para isso trabalhava vendendo picolé, engraxando sapatos e ajudanto turistas. Mesmo assim, praticava pequenos furtos. E foi tentando se socializar que, aos 17 anos, descobriu no álcool um alívio para a timidez. “Tomava duas doses de alguma bebida quente e perdia toda a vergonha”, conta ele. “Consegui namoro, arrumar emprego e muitos contatos”. Aos 21 conheceu a maconha, a tia não agüentava mais a situação e o mandou de volta para Brasília, para que ele mudasse de vida.

Retorno para Ceilândia

Ao voltar para a casa da mãe, o jovem, que tinha o apelido de “brinquedinho do cão” por causa da rebeldia, ficou sabendo que somente poucos amigos de infância estavam vivos. Tinha perdido a vergonha da mãe e os dois bebiam juntos. Dormia o dia inteiro e à noite trabalhava em uma padaria para gastar todo o salário com álcool e maconha, que segundo ele, não ficava sem o “tranqüilizante natural” dele. “A rotina era sempre essa, quando não tinha dinheiro roubava para comprar maconha”, diz. José não ficou um ano e a mãe o mandou para Belo Horizonte, para morar com outros parentes.

Lá, já com 24 anos, o rapaz se casou e teve duas filhas. José trabalhava e ajudava nas despesas de casa. Mas depois trocou a família pelas drogas e também por jogos de azar. Depois de 15 anos, o casamento estava desgastado de mais e a mulher pediu a separação. Foi a primeira vez que José pensou em se matar. “Não aceitava que ela tirasse as crianças de mim, ia me matar enforcado, mas ela chegou na hora e conversou comigo”.

Dali em diante nada dava certo na vida de José, que faliu um bar que a mãe havia dado a ele para trabalhar. Ao mesmo tempo, a cada desilusão que tinha, se aprofundava mais e mais no álcool, na maconha e tomava chá de bela-dona com a intenção de se matar. Pensou novamente em suicídio e ia tomar veneno, mas no meio do caminho ficou bêbado e esqueceu. Então voltou novamente para a mãe, e para Ceilândia, em 2003, onde se envolveu pesado com o crack. “Minha mãe botava tranco no quarto dela para eu não vender as coisas dela, sempre saia para comprar ou pagar algo para ela e fazia pelas metades para eu poder usar droga”.

O momento de virar o jogo

A vida de José Antônio chegou ao fundo do poço quando não tinha mais dinheiro, ninguém mais o aceitava, não conseguia trabalhar, não comia direito e para sustentar o vício recorria às bebidas mais baratas e fortes possíveis. Então começou a desmaiar, não conseguia andar e ter convulsões. “Minha mãe me dizia ‘meu filho, por que você não morre para dar sossego a você mesmo? ’”, se emociona. Enquanto isso, o patrão da obra onde ele conseguiu fazer bico, Rair Carlos, que também faz parte dos alcoólicos anônimos esperava para ajudar José. “Não adianta você oferecer ajuda a um alcoólatra ou dependente químico para largar o vício”, diz ele. “Ele só larga se aceitar que precisa de ajuda”.

Então José procurou a Paróquia São Camilo de Lellis, onde foi encaminhado para começar o tratamento na Comunidade Terapêutica Dom Bosco. Os três primeiros meses de internação foram os piores meses da vida de José, que sofria com a abstinência dos vícios e não via a hora de sair. Mas foi um desafio que fez o ex-viciado rebelde seguir firma até o fim. “Um conselheiro falou que se dos 35 da turma, dois saíssem recuperados ele tava satisfeito”. José decidiu ser um dos dois.

Hoje, depois de se livrar das drogas, tem uma nova vida e mora com uma nova família há três anos. Ele lembra que a luta não é fácil. “O maior desafio é reaprender a viver um dia de cada vez”. No entanto, para José, é o testemunho de superação que motiva os dependentes químicos a seguirem fortes. “Sempre que temos dificuldades ligamos um para o outro para receber conselho e força para não cair”, conta ele que já apadrinhou 12 dependentes.

Matéria publicada pelo Jornal de Brasília na quinta-feira, 10 de março de 2011

Comentários»

1. sueli piheiro nunes - setembro 22, 2011

Senhor JOSE sou esposa de um interno da comunidade li sua biografia e fiquei emocionada com sua superaçãoe coragem e força de vontade espero que com a ajuda de DEUSem primeiro lugar e o senhor meu esposo saia dai renovado estou aqui fora torcendo e orando muito vmu
OS que confiam no Senhor são como os montes de sião que não se abalam mais permanecem firmes para sempre
Feliz é a nação cujo DEUS é o Senhor… SALMOS;

d


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