Paixão pelo uniforme maio 9, 2011
Posted by joaopaulonevescabral in Sem categoria.trackback
O 7° Batalhão da PM agora é liderado por uma mulher que já treinou no Bope
Por João Paulo Cabral
Os 200 policiuais militares do 7° Batalhão de Polícia Militar do DF responsáveis pela segurança das respectivas cidades, serão comandados por uma mulher a partir de agora. É uma tenente-coronel de 38 anos, que trabalha na Polícia Militar há 19 anos.
“Espero representar bem as mulheres”, afirma Cynthiane Maria Santos Paiva. “Sou policial de paixão e visto a camisa mesmo!”, orgulha-se. Ela diz que a gestão do comandante anterior deu certo e, por isso, dará continuidade aos projetos elaborados para os próximos anos.
“Sentei aqui hoje, não convém mudar o que está dando certo”, diz ela, que já ouviu as demandas da comunidade e no primeiro dia de trabalho, ontem, realizou uma operação nas cidades em que comandará o policiamento, como Cruzeiro, Octogonal e Sudoeste. “À medida que eu for me ajustando, o batalhão ficará com minha cara”, planeja.
E se o batalhão herdar as características de sua comandante, será duro com bandidos e exemplar em auxiliar socialmente. Cynthiane foi a primeira militar do DF a viajar em uma missão de paz pela Organização das Nações Unidas (ONU). No caso, para Timor Leste.
Além disso, carrega com orgulho na farda o distintivo de caveira, o “mais difícil” que conquistou com muito esforço no curso da Companhia de Operações Especiais do Batalhão de Operações Especiais da PM (Bope).
Toque da Alvorada
Filha de militar, Cynthiane entrou com apenas 18 anos na Academia de Polícia. Morou em várias vilas militares viajando com seu pai à serviço das Foprças Armadas e, apesar de não ter tido uma educação doutrinada pelo pai, cresceu ouvindo o toque da alvorada e cantando cantigas militares.
Quando escolheu abandonar a faculdade de processamento de dados para prestar concurso para a Polícia Militar recebeu o maior apoio dos pais. Mas não dos amighpos. “Todas as amigas da faculdade acharam um horror eu trocar a faculdade por uma carreira militar”, afirma ela. “Hoje várias amigas são donas de casa”, relembra.
Apesar de nunca ter enfrentado preconceitos – é ela quem afirma – a parte mais difícil de se adaptar àquele mundo predominantemente masculino foi se enquadrar nas rotinas e condutas do batalhão. O que também não demorou a superar. “Adoro atividades físicas, inclusive esse ano vou correr na maratona de Berlim!”, se empolga.
Durante os tempos de academia conheceu o marido com o qual teve um filho e se formou com destaque entre a equipe. E entre ela, outras duas mulheres “Fui a 02, e a 01 e a 04 também foram mulheres”, recorda. Então, depois de completar vários cursos, apostou alto e foi se especializar no Bope.
Tropa de Elite
Os policiais amigos não acreditaram quando ela disse que iria se especializar no Bope. “É realmente igualzinho ao treinamento do Tropa de Elite, com a diferença que no DF não tem morro”, descreve ela. “Aí eu senti que foi difícil. Tudo que eles faziam eu fazia em dobro para mostrar para que eu estava lá”, diz.
Os quatro meses de treinamento intenso não foi fácil e várias vezes, pensou em pedir para sair. “Às vezes eu pensava ‘meu filho de três anos está lá fora, não agüento mais, quero ir embora”, conta. Mas, nas que mais precisou, encontrou o apoio dos companheiros na mesma situação.
“Quando eu falava que ia sair, os outros meninos falavam ‘ se você for eu também vou’”, relembra. “Carreguei os 21 nas minhas costas”, ri. “Ali você vive realmente no limite, perde vaidade e fica pronta para o que der e vier”, conta.
Depois de se formar no curso, Cynthiane foi convidada para fazer parte do Bope, onde ficou de 1999 a 2002, ano no qual saiu para integrar a equipe da ONU em uma missão de paz internacional no Timor Leste.
Foi uma nova superação, com saudade do filho e do Brasil. Hoje orgulha-se de ter participado de ações militares e sociais e testemunhado a transição política daquele país. “Lembro-me como se fosse hoje o dia 20 de maio de 2009. Depois de tanto sofrimento e humilhação aquele povo estava aliviado dos regimes anteriores”, recorda-se.
Matéria publicada pelo J0rnal de Brasília no sábado, 19 de fevereiro de 2011
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