Segurança nos Parques de Diversão – Quem é o responsável? maio 10, 2011
Posted by joaopaulonevescabral in Sem categoria.trackback
Por João Paulo Cabral
Na teoria, para as Administrações Regionais concederem licença de funcionamento para parques de diversões eles precisam ter laudos técnicos de engenheiros elétrico e mecânico, registrados no conselho regional de engenharia, arquitetura e agronomia (Crea), e alvarás do Corpo de Bombeiros e da Defesa civil. ambos os documentos são concedidos por meio de vistoria de profissionais. Mas, nenhum deles tem o da Defesa Civil no Distrito Federal para funcionar.
Por não haver ainda norma técnica da Agência Brasileira de Normas Técnicas (ABNT) que estabeleça critérios para fabricação dos brinquedos e nem órgão específico, Inmetro, por exemplo, que avalie e certifique se as normas estão sendo cumpridas, há dois anos o gerente de operações da Defesa Civil, Vicente Tomaz, não libera albará de funcionamento a nenhuma parque. “A rigor não era para nenhum desses parques estarem funcionando no DF”, diz ele. “Mas como cada Administração é responsável, elas que assumem o risco!”, desabafa.
Por outro lado, proprietários de parques reclamam que mesmo cumprindo todas as exigências do corpo de bombeiros e apresentando laudos de vistorias feitas pro engenheiros, não conseguem o parecer da defesa civil que atesta sobre as condições das estruturas. Já os administradores que tomam decisão final de permitir ou não qu os parques de diversões instalem os brinquedos, ficam divididos entre o lazer e a segurança.
“Fica difícil de a gente trabalhar”, diz o proprietário do parque que está na Estrutural, Marcio Caixeta. “Como podem nos cobrar algo que não existe?”, questiona. Segundo ele, a maioria dos parques itinerantes da região são negócios o de família e passados de geração em geração, e que recebem manutenção em oficinas especiais. Além disso, Marcio diz não entender porque a defesa civil não considera o laudo dos engenheiros. “sempre conseguimos laudo de engenheiros do Crea, alvará de bombeiro e nunca tivemos problemas com acidentes”, conta.
“Se eu não tenho normas de fabricação, certificado de uso, manual que me mostre se o produto está tendo manutenção e também gente que saiba operar aos equipamentos, como vou garantir numa inspeção visual que os equipamentos são seguros?, questiona Vicente Tomaz. “Não posso permitir que uma justificativa em prol do lazer ponha em risco a população”, emenda.
Em decorrência da falta de lei e critérios de segurança, Valcir Costa, chefe de gabinete da Administração Regional da Estrutural que chamou em janeiro último, um parque itinerante para passar um mês na cidade, teve que procurar a polícia militar para impedir que certos brinquedos funcionassem. Com a intenção de oferecer opções de lazer para a comunidade de sua cidade, combinou com o parque que apensar brinquedos rasteiros de médio e pequeno porte fossem montados.

(João Paulo Cabral) Funcionários desmontam a montanha russa que ficava na beira da área vazia e um estacionamento
Mas quando os caminhões chegaram com o equipamento, o espaço de 300m2 previsto na praça central não foi o bastante. Então foram transferidos para um terreno vazio localizado atrás da Administração, onde também foi montada roda gigante, montanha russa e mais outros dois brinquedos, todos nivelados sobre todos de madeira.
Os donos do parque disseram que os brinquedos maiores ficariam ali para chamar atenção da população e que não seriam ligados, mas não foi o que aconteceu. “De noite eu lá da minha casa dava pra ver a roda gigante funcionando a todo vapor”, recordou o chefe de gabinete. “No outro dia dei graças a Deus por nada ter acontecido”. De acordo com ele, o parque só começou a desmontar as estruturas depois das ameaças de interdição com o auxílio da Polícia Militar.
Edinelde Santana, moradora da Estrutural não gostou que o parque desmontasse os brinquedos. Segundo ela, a cidade não tem opções de lazer para oferecer aos seus habitantes e um parque de diversões é uma das poucas oportunidades que ela tem para brincar com as duas filhas. “Todo mundo achou ruim”, opinou na ocasião.
Apesar do não cumprimento do acordo, Valcir Costa combinou com o gerente do parque Cezar Dávila, para que ficasse no local por mais alguns dias depois do vencimento do tratado. A única condição imposta foi a de que os brinquedos de maior risco não fossem ligados. “ A administração está de braços abertos para quando o parque quiser voltar; só queremos que eles voltem com melhores situações de segurança e que não coloquem em risco a vida da comunidade”, disse ele.

(João Paulo Cabral) Edinelde Santana lamenta que a cidade não ofereça opções de lazer. Ela sempre brinca com as filhas quando os parques se instalam
O presidente da Associação das Empresas de Parques de Diversões do Brasil (Adibra), grupo formador pelos maiores parques de diversões do Brasil, Francisco Donatiello Neto informa que a norma sobre o tema já foi criada e a partir de 16 de março passará a integrar a ABNT. No entanto, depois de dois anos formulando regras com base em normas do exterior junto aos setores industriais, ele afirma que isso é só o começo; “Agora é preciso que o governo crie órgãos competentes e leis para regular o mercado”, diz ele.
É fato que a maioria dos acidentes ocorridos em parques de diversão e espetáculos musicais o motivo é quase sempre associado ao fator segurança. Há sete meses um acidente em um parque de diversões que também estava em na Estrutural, mudou radicalmente a vida de Weder Modesto. 27. Ele conta que estava bebendo desde cedo com amigos e depois foi brincar na barca do parque que estava na cidade. Mas ao invés de se sentar como todos os outros, Weder se arriscou em ficar em pé pelo lado externo do brinquedo que progressivamente atinge alturas maiores a cada movimento pendular. “Eu estava errado, mas ninguém me avisou para descer ou impediu que o brinquedo começasse a funcionar”, relatou.
Resultado: Weder caiu de lado sobre o trilho do brinquedo, que passou por cima de sua perna. Por sorte, conseguiram parar o brinquedo e freá-lo a tempo. “Nasci de novo”, lembra ele que foi salvo graças a um colega do curso de brigadista. Weber já passou por duas cirurgias e aguarda outra para colocar uma gaiola de pinos na perna.

(João Paulo Cabral) Weder mostra o estado que ficou a perna dele depois que a barca passou por cima. Sua Rotina se resume em ir para o hospital e voltar para a cama
Matéria publicada pela revista Plano Brasília de 15 de março de 2011, na sessão Jornalista Aprendiz
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