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Um olhar especial maio 10, 2011

Posted by joaopaulonevescabral in Sem categoria.
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Voluntários oferecem curso de fotografia para cegos e buscam apoios

Por João Paulo Cabral

Há oito meses o projeto Olhar Interior: fotografando com a alma alia capacidade técnica e inclusão social ao oferecer curso de fotografia para cegos. O trabalho é feito de forma voluntária pelo empresário e estudante de psicologia Sidraque Ribeiro e pelo fotógrafo Edmar Gonçalves. Todas as manhãs de quarta feira eles se reúnem na Biblioteca Braille Dorina Nowill, em Taguatinga, para ensinar fundamentos básicos de fotografia e organizar saídas a campo, para que os deficientes experimentem vários ambientes. O grupo já possui cerca de 500 fotografias em arquivos e está em busca de parcerias para conseguir apoio expor os trabalhos.

(João Paulo Cabral) Professor Sidraque com parte dos seus alunos.

Todos os custos são pagos pelos professores. Desde o equipamento, emprestado pela escola de fotografia 4ª Eclipse da qual fazem parte, ao transporte para levar os alunos aos diversos ambientes e o material para impressão das fotos. Eles garantem que a recompensa vale todos os esforços. “É muito prazeroso ajudar ao próximo”. Por isso, Sidraque, que também tem o interesse de melhorar o equipamento e profissionalizar o curso, procura patrocínio para ajudá-lo com o objetivo.

O curso é composto de 24 encontros e três etapas. Na primeira, os alunos aprendem noções básicas de como operar uma máquina, mexer com foco, isso, diagrama e obturador. Eles também praticam exercícios para aperfeiçoar a noção de enquadramento, como equilibrar uma bolinha sobe a bandeja. Depois,m há um debate filosófico onde os alunos discutem mitos como o da caverna, de Platão, e conceitos de percepção e outros sentidos. Por último, saem a campo apara praticar o que aprenderam. “Vamos para o Teatro Nacional, pizzaria, área rural”, enumera Sidraque.

A idéia do projeto surgiu durante uma aula de psicologia, enquanto via o documentário Janelas da Alma de João Jardim e Walter Carvalho. Sidraque ficou inspirado com os comentários de artistas, intelectuais e pessoas comuns sobre a visão. Principalmente como o filme recorre à música, literatura e filosofia para explicar a subjetividade do sentido elementar para a fotografia. Pensando nisso ele se mobilizou.

Reunidos

Para o trabalho, chamou o amigo fotógrafo, que também desenvolve projetos sociais com crianças da Estrutural, e uma colega de sala, Neuma Pereira que perdeu a visão com um ano de idade. Enquanto os dois estudavam o método de ensino, Neuma, que sempre freqüentou a biblioteca, espalhava a novidade para os outros deficientes visuais. Ao final do ano, nove dos 13 alunos que integravam a primeira turma completaram o curso e estão ansioso para a volta das aulas.

Durante as aulas práticas os alunos usam os outros sentidos para se guiarem. Tocando objetos conseguem saber a distancia que precisam ficar para enquadrá-lo, da textura, do volume. Assim como distinguir e diferenciar objetos pelo aroma ou som. Sidraque explica que não há grandes diferenças em dar aulas para deficientes visuais e outras pessoas. Para ele o processo de aprendizado é o mesmo, pois cada um tem limitações e consegue superá-las gradualmente com a prática

Superação de desafios

Amigos não acreditaram quando Neuma Pereira falou que tinha se inscrito em um curso de fotografia. “Diziam ‘não sei como, nunca vi cego tirar foto”‘, diz ela sobre o preconceito que sofreu na faculdade. “Hoje eu sei, e até me falam, que as fotos são boas”, se oegulha de ter superado mais uma liumitação. Assim como os outrso cegos, ela adora ouvir a descrição das fotos que tira. “Gosto da fotografia que trabalho minha criatividade”, diz ela. “Tem que ser bem verdadeiro e criticar quando for preciso”, emenda Sidraque.

Foi só o professor bater em alguns cantos da mesa e Valdeci Brandão mostrou que não precisa da visão para saber a direção onde o objeto está. A cada mudança de ponto, ela, que entrou um pouco depois do começo da turma, acompanhava precisamente com a câmera empenhada nas mãos. “Mais uma meta cumprida”, afirma Valdeci.

“O professor sempre avisa para nós tomarmos cuidado para não estourar, desfocar ou cortar a cabeça dos outros”, ri Noeme Rocha. “Falei para o professor que queria uma foto dele de perfil, do lado de uma árvore, com o céu azul no fundo, ele só virou e eu bati direitinho”, conta ela. “Para cegos não existem barreiras, você só precisa dar oportunidade à eles”, afirma o aluno Milton Peres.

(João Paulo Cabral) Neuma, Noeme e Milton mostram seus trabalhos

Matéria publicada pelo Jornal de Brasília no Sábado, 7 de março de 2011

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