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Shattred Glass dezembro 5, 2008

Posted by joaopaulonevescabral in Resenhas.
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shattered_glassShaterred Glass é um drama do diretor Billy Ray, baseado em fatos reais. O filme conta a historia de Stephen Glass, um jovem jornalista talentoso que trabalha na conceituada revista “The New Republic”. Stephen é querido por todos seus colegas e seu chefe. Porém, um dia, devido a uma intriga hierárquica, seu chefe é substituído por um amigo de trabalho ( Chuck Lane) que não possui tanta popularidade entre seus parceiros da redação

A qualidade dos artigos de Stephen nem sempre correspondiam às novas exigências. Cansado de desempenhar um resultado insuficiente, a ambição lhe sobe à mente. A partir de então, começa a forjar artigos, criando historias, pessoas fictícias, que resultam em verdadeiros furos jornalísticos. Os artigos começam a chamar atenção. Um redator de outra revista se interessa em um artigo especial: Hacker’s Heaven ( paraíso dês Hackers). E começa a pesquisar sobre os fatos. Vendo que os dados não levavam à lugar algum, Chuck Lane recebe um denúncia de que Stephen poderia estar fraudando artigos, então, sua carreira é colocada à prova.

Sempre mostrando resistência, Stephen é desmentido e demitido depois de descobrirem que não só um artigo em especial foi fraudado, mas como 27 dos 41 já publicados pela revista. O filme cita um exemplo real dos desafios e tentações da carreira jornalística, e o quão importante é não faltar com a verdade e a ética.

Como Projetar Aventuras dezembro 5, 2008

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images_imgdet1882“A Jornada do Escritor: Estruturas Míticas para Escritores” — ( Editora Nova Fronteira, 2006, 2ª edição, autoria de Cristopher Vogler e tradução de Ana Maria Machado,230 páginas). É um guia prático que esclarece todos os mistérios e artimanhas de uma narrativa. Inspirado em um dos livros mais importantes do século XX, “O Herói de Mil Faces”, do antropólogo Joseph Campbell, Vogler desenvolveu, a partir das teorias de Campbell, sobre o monomito, um memorando que propunha a adoção de formulas que remetessem ao “ciclo do herói”, e uma lista de erros a serem evitados. Esse memorando ficou mais conhecido como “A Pratical Guide to The Hero With a Thousand Faces”, em inglês. Sua obra influenciou o trabalho de vários roteiristas e cineastas de Hollywood, inclusive na produção de clássicos da Disney, como “A Bela e a Fera” e “A Pequena Sereia”. Mais tarde, Vogler desenvolveu o trabalho e publicou o livro “A Jornada do Escritor: Estruturas Míticas para Escritores”.

O monomito ou “jornada do herói” é um conceito de jornada cíclica presente em mitos. Para Campbell, todas as histórias estão ligadas por um fio condutor comum. Assim, desde os mitos antigos, passando pelas fábulas até os mais recentes estouros de bilheteria do cinema americano, a humanidade vem contando sempre as mesmas histórias. Partindo dos conceitos de Campbell, Vogler estruturou um esquema semelhante à “jornada do herói” só que mais adequado às narrativas contemporâneas. Ele está dividido em três partes, ou atos: apresentação, conflito e retorno. A apresentação lida com o herói aspirando à sua jornada; o conflito contém as várias aventuras do herói ao longo do seu caminho e o retorno é o momento em que o herói volta para casa com os conhecimentos adquiridos durante sua aventura.

O livro apresenta todos os elementos que constituem uma historia e seu papel. Explica, de forma didática, os mecanismos das regras que fazem funcionar uma história de acordo com uma lógica interna. Além de exemplificar como a técnica do monomito é usada em filmes clássicos como “Titanic”, “O Rei Leão” e “Guerra nas Estrelas”. Ao final de cada capítulo, há sugestões que testam a compreensão do leitor. O livro é composto de duas partes: na primeira, Vogler faz um mapa da jornada, uma revisão do guia; na segunda, um exame mis detalhado dos elementos da jornada do herói.

O guia é muito pratico, de fácil entendimento e não complica as coisas. Realmente é uma ferramenta indispensável para roteiristas, cineastas e escritores. Seus esquemas e ilustrações ajudam a compreender o grau de intensidade que os atos devem conter. O livro é repleto de exemplos de filmes populares, o que o torna mais didático. A forma peculiar de analisar cada arquétipo de herói auxilia na construção de persagens ainda mais ricos e complexos. Porém, o caráter metódico que o livro contem afasta a espiritualidade da origem de como o homem usa a figura do herói para contar historias, e não é mencionada a forma que a alma humana se identifica em relação aos personagens devido ao caráter heróico.

Resenha do livro “1968, O ano que nao terminou” novembro 21, 2008

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img1“1968: O ano que não terminou “– (Editora Nova Fronteira, 1988, 159 páginas), escrito pelo jornalista Zuenir Ventura. Resultado de uma pesquisa de 10 meses em jornais e revistas, Zuenir fez a reconstituição de um dos anos mais contraditórios e fascinantes de toda a historia. Marcado pelo radicalismo e pela polarização ideológica, 1968 foi palco de revoluções culturais, políticas e sociais em todo o mundo. No Brasil vivia-se a ditadura militar, os estudantes iam às ruas como forma de resistência, protestar e travar combates com a policia. Testemunha e participante desses tempos, Zenuir vai além dos registros jornalísticos em seu romance sem ficção. Apesar do rigor histórico em que os acontecimentos são reconstituídos, ele conta de forma íntima e conceitual uma aventura de toda uma geração.

A história começa num réveillon promovido pelo casal Luís e Heloísa Buarque de Hollanda, à moda de uma revolução comportamental. “O som combinava carnaval com Iê Iê Iê e os trajes se apresentavam variados – smokings, longos, míni saia e roupas hippies de luxo”, escreve o jornalista. Uma premonição do estado de espírito que seria predominante no período. Nem sempre a atitude libertária naquele período era uma prática liberal. A viagem experimental dessa geração resultaria numa série de contradições.

Numa geração onde cada vez mais a juventude era marginalizada pela ditadura, os jovens se tornavam presas fáceis para o pensamento esquerdista. Os pensadores comunistas tinham preferência dentre o público universitário. Nessa época, os best sellers eram Marx, Mao, Guevara e, principalmente, Marcuse, que defendia que as minorias do sistema tinham vocação natural para serem revolucionárias. Antigamente lia-se como hoje em dia se vê televisão. Era o cenário ideal para discussões. A moda era politizar e militar. “O cheiro de gás lacrimogêneo, o coro de ‘’abaixo a ditadura’’ pareciam incorporados à paisagem urbana daqueles tempos”, aponta Zuenir.

Dentro de tantos acontecimentos marcantes do ano, talvez a lendária Passeata dos 100 mil fosse o principal marco simbólico da força estudantil. Resultado de uma série de fatos trágicos que chocaram e indignaram não só o movimento estudantil, mas também a população, a passeata contou com o apoio de vários outros segmentos da sociedade como mães, padres e professores. O primeiro vetor que levou à passeata foi o confronto com a polícia no restaurante Calabouço, que resultaria na morte do jovem Edson Luís. Seria o primeiro incidente que sensibilizou a opinião pública para a luta estudantil. Depois, a repressão da polícia na porta da igreja Candelária indignaria a todos, porém, a sexta-feira sangrenta que levaria a população a tomar partido e entrar na guerra.

Naquele ano a ditadura endurecia. O presidente Costa e Silva assinava o AI-5 em Dezembro numa sexta feira 13. Os jornais registravam como “rumores alarmantes” a possibilidade do ato que anularia os direitos civis dos cidadãos e concentrava todo o poder ao Executivo. Com a proibição da Frente Ampla, movimento político liderado por Juscelino Kubitschek, João Goulart e Carlos Lacerda, tornara-se difícil lutar pela liberdade através do dialogo. Dentre os vários motivos que o presidente foi levado a assinar a medida estavam a rebeldia estudantil e a insubordinação do Congresso Nacional.

“1968: O ano que não terminou” realmente faz jus ao seu titulo de best seller. Zuenir Ventura consegue contar a historia de forma muito íntima e fiel aos fatos históricos. Ao mesmo tempo, passa certa dramaticidade que nos instiga à história. A maneira de contar separadamente os acontecimentos em capítulos distintos amplia a percepção sobre os fatos. O humor e a ironia que Zuenir usa ao comentar um depoimento ou uma situação, aproxima o leitor da história. A apresentação das personagens também merece destaque. Ao citar depoimentos de entrevistas da época, vinte anos atrás o autor faz um paralelo de antes e depois de 68 de alguns personagens, como no caso de Vladimir Palmeira, líder radical da UME na época de 68 e, vinte anos mais tarde, um deputado vitalício que luta em favor do povo.

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