Entrevista Com TODD GITLIN dezembro 5, 2008
Posted by joaopaulonevescabral in Textos e Artigos.Tags: 1968, Todd gitlin
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1968 foi um ano marcante. Os diversos conflitos políticos, sociais e culturais repercutiram no mundo inteiro, gerando tensão e instabilidade. Nos Estados Unidos foi o ano mais explosivo da década na guerra do Vietnã, assassinatos, conflitos de gerações, confrontos pela integração racial, feminismo e consumo de drogas.
Todd Gitlin é professor de jornalismo e sociologia na faculdade Columbia, uma das mais conceituadas dos Estados Unidos. Gitlin não só viveu a década e o ano de 68, mas também participou da revolução cultural de que até hoje divide o país. Foi presidente em 1964 do SDS, movimento estudantil que lutava por uma sociedade democrática, um dos mais influentes e radicais movimentos da época, chegando a atingir cerca de 100 mil membros.
Em entrevista dada a Lucas Mendes, em 2008 para Rede Globo, ao ser questionado a respeito do que realmente aconteceu na época, ele responde. Foi a luta entre direita e esquerda. A polarização nos Estados Unidos havia sido impulsionada pelo movimento dos direitos civis. Se imaginarmos os anos 60 com esse movimento, mas sem a Guerra do Vietnã, o desenvolvimento teria sido menos conflituoso”.
Gitlin explica que as guerras culturais que temos hoje são as mesmas daquela época. O que diferencia é que, naquele ano, houve uma erupção de confrontos de imperialistas e “isolacionistas”, de conservadores e de liberais, por causa dessa polarização política.
Ao ser perguntado quem teria sido os verdadeiros vencedores de 1968 e uma comparação entre 68 e 2008, ele diz. De inicio os conservadores, que conseguiram controlar a pressão e se manterem no poder, porém, a longo prazo, foram os liberais que prevaleceram, vieram o avanço das atitudes antiautoritárias e o colapso de instituições tradicionais. A guerra cultural tinha a tendência de se dirigir para uma posição de abertura.
Gitlin diz não ver quase nenhuma semelhança nem conexão entre 68 e 2008, o terreno cultural está muito diferente, aberto e diversificado e que não há nenhuma revolta cultural nos dias de hoje, a tradição política ficou muito diferente e que a tendência em direção à devoção cívica e a virtude republicana da população em geral pouco sobreviveu.
Ética & Responsabilidade Jornalistica outubro 17, 2008
Posted by joaopaulonevescabral in Textos e Artigos.Tags: Invasão alienígena, Orson Welles, Responsabilidade Jornalistica
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Todo mundo um dia deve ter parado para pensar: Será que tudo que dizem na televisão é verdade? Poderiam os jornais nos limitar os fatos na hora de serem transmitidos? Será que estou sendo manipulado? Se você ligasse o rádio hoje em dia e ouvisse a notícia que o mundo estaria acabando, provavelmente, devido à diversidade de meios de fontes de informação e tecnologia, não iria acreditar. Porém, há exatamente 70 anos, um jornalista americano chamado Orson Welles, imaginando até onde poderia chegar os limites da ficção e da realidade, resolveu pregar uma peça na população norte-americana.
Em 1938, em meio ao aprofundamento da Segunda Guerra Mundial, o mundo vivia um clima de muita tensão. As notícias dos conflitos ocorridos na Europa geravam certa incerteza e apreensão aos ouvintes sobre a postura norte-americana. Aproveitando-se desse contexto, Orson liderou um grupo de atores para trabalharem em seu plano: reproduzir como verdade, uma invasão alienígena à Terra. Inspirado num romance de H.G Wells, pai da ficção científica, o jornalista levou ao ar “ A Guerra dos Mundos”, transmitida pega CBS de forma peculiar. O programa foi transmitido em um formato puramente jornalístico. As transmissões mostravam eventos narrados ao vivo, com entrevistas e pausas precisas para que fosse passada certa apreensão aos ouvintes. Embora não passasse de uma novelização radiofônica, o episódio levou ao pânico 1,2 milhão de americanos, provocando fugas e uma onda de medo pelas ruas de algumas das principais cidades estadunidenses, como Nova Jersey e Nova York.
Citando esse caso com exemplo, podemos perceber quão destrutível pode ser uma noticia dada sem responsabilidade e ética. Um jornalista que publica material fictício, além de estar manipulando informação, está denegrindo a esfera pública, enganando pessoas, e ainda, pondo em risco a credibilidade de seu próprio veículo de comunicação. Esse é o caso do filme dirigido por Billy Ray baseado em fatos reais, “Shattered Glass”. A obra conta a história de Stephen Glass, um jovem jornalista talentoso que trabalhava numa conceituada revista americana. Stephen que sempre quisera um papel de destaque na empresa, deixa a ambição subir-lhe à cabeça e começa a fraudar artigos para alcançar prestígio. Os textos começam a gerar polemica, fazendo o editor chefe de Stephen investigar seus antecedentes. Ao descobrir que 27 dos 41 artigos foram forjados, o jovem foi despedido da revista.
Ao ter abordado a falta de ética, notamos a importância dela na carreira jornalística. Diferente da moral, que varia com o ponto de vista e se mistura com o caráter, a ética define o certo do errado e busca o bem-estar coletivo. Um jornalista que se preocupa com questões éticas tem papel fundamental na sociedade.
“Bem, eu não sei o que virá agora. Teremos dias difíceis pela frente. Mas isso não importa para mim agora porque subi ao topo da montanha. E lá de cima eu enxerguei a terra prometida. É provável que eu não entre lá com vocês. Mas quero que vocês saibam esta noite que nós, como um povo, chegaremos à terra prometida.”