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A pérola do Pântano dezembro 5, 2008

Posted by joaopaulonevescabral in Sem categoria, Textos e Artigos.
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barack_obama-martin_luther_king_954651“Bem, eu não sei o que virá agora. Teremos dias difíceis pela frente. Mas isso não importa para mim agora porque subi ao topo da montanha. E lá de cima eu enxerguei a terra prometida. É provável que eu não entre lá com vocês. Mas quero que vocês saibam esta noite que nós, como um povo, chegaremos à terra prometida.”

Após terminar seu ultimo e mais importante discurso, o sermão da montanha, o pastor Martin Luther King é assassinado com um tiro no pescoço em 4 de abril de 1968, menos de 24 horas depois de fazer este discurso, em que, para alguns, pressentiu a própria morte. Morre o principal representante da luta pelos direitos civis dos Estados Unidos.

Martin Luther King, coordenou a luta pelos direitos civis por meio da obediência civil não violenta. Orador poderoso, King fazia discursos marcados pela moral religiosa que combinavam a retórica da liberdade com a da justiça social. A luta dele contra o racismo começara havia 15 anos. Já nos anos 50, o pastor estava engajado em movimentos pelos direitos dos negros. Que sofriam com a pobreza, discriminação, segregação e violência policial. A desilusão que se seguiu depois de sua morte causou manifestações em todo país. Os danos foram incalculáveis às esperanças daquela geração que sonhava viver tempos melhores.

Depois de 40 anos da morte de Luther King, a esperança ressurgi com um novo nome, Barack Hussein Obama. Filho de pai africano com mãe americana, criado com um padastro asiático, Obama é o primeiro presidente negro da história dos Estados Unidos. Uma nação marcada pelo racismo e pela segregação que dificilmente elegeria um candidato negro, que carrega Hussein no nome. O país provou que necessita de mudança, e que Obama é sinônimo de esperança.

No inicio de sua campanha, ninguém acreditava nele, nem mesmo o eleitorado negro. Sua campanha começou com verba escassa e falta de apoio. O democrata teria de derrotar as duas máquinas mais poderosas da política americana — a dos Clinton, celebrizada no Partido Democrata por sua influencia partidária — e a direita mais conservadora do partido Republicano, com sua descomunal capacidade de vencer. Sua campanha bateu recorde em arrecadação e comparecimento, com mais de 700 milhões de dólares e 64,1% da população nas urnas. Mobilizou como raramente se viu a juventude americana e fez um uso totalmente eficiente da internet. O democrata ganhou as eleições com 53% dos votos populares contra 46% de seu adversário.

Embora a eleição não represente o final do racismo no país, constitui um avanço significativo para baní-lo das consciências não só nos Estados Unidos, mas em todo o mundo. Sua eleição gerou uma onda de comemorações em todas as partes da Terra, como jamais se viu. Houve festa em Paris, Berlim e também em vários países da África. Obama foi manchete em jornais na Itália, Índia, Japão, Brasil, sem falar nas comemorações nos Estados Unidos por negros, brancos, estrangeiros e imigrantes. A vibração planetária é uma resposta ao final de uma política de intolerância e o começo de uma que está voltada à negociação e a diplomacia.

Porém, não só de esperança é feito o presente, mas também de realidade. Obama terá muitos desafios pela frente. O país esta atolado com uma crise financeira que desliza como uma avalanche para uma profunda recessão. Não há no horizonte nem paz, nem prosperidade. Além da recessão, o país esta afundado com duas guerras que só custeiam mais e mais ao cofre público. As guerras já fazem mais de 4.000 mortos e sugam do orçamento cerca de 12 bilhões mensalmente.

“Negros e brancos americanos foram à guerra pelo direito à terra prometida. Negros e brancos marcharam com Martin Luther King para exigir o fim da segregação. Negros e brancos juntaram as mãos para eleger o primeiro presidente negro do país. O pântano da segregação americana produziu uma pérola luminosa para exaltação da liberdade e da igualdade de oportunidades entre os indivíduos.” — CartaCapital.

Entrevista Com TODD GITLIN dezembro 5, 2008

Posted by joaopaulonevescabral in Textos e Artigos.
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1968 foi um ano marcante. Os diversos conflitos políticos, sociais e culturais repercutiram no mundo inteiro, gerando tensão e instabilidade. Nos Estados Unidos foi o ano mais explosivo da década na guerra do Vietnã, assassinatos, conflitos de gerações, confrontos pela integração racial, feminismo e consumo de drogas.
Todd Gitlin é professor de jornalismo e sociologia na faculdade Columbia, uma das mais conceituadas dos Estados Unidos. Gitlin não só viveu a década e o ano de 68, mas também participou da revolução cultural de que até hoje divide o país. Foi presidente em 1964 do SDS, movimento estudantil que lutava por uma sociedade democrática, um dos mais influentes e radicais movimentos da época, chegando a atingir cerca de 100 mil membros.
Em entrevista dada a Lucas Mendes, em 2008 para Rede Globo, ao ser questionado a respeito do que realmente aconteceu na época, ele responde. Foi a luta entre direita e esquerda. A polarização nos Estados Unidos havia sido impulsionada pelo movimento dos direitos civis. Se imaginarmos os anos 60 com esse movimento, mas sem a Guerra do Vietnã, o desenvolvimento teria sido menos conflituoso”.
Gitlin explica que as guerras culturais que temos hoje são as mesmas daquela época. O que diferencia é que, naquele ano, houve uma erupção de confrontos de imperialistas e “isolacionistas”, de conservadores e de liberais, por causa dessa polarização política.
Ao ser perguntado quem teria sido os verdadeiros vencedores de 1968 e uma comparação entre 68 e 2008, ele diz. De inicio os conservadores, que conseguiram controlar a pressão e se manterem no poder, porém, a longo prazo, foram os liberais que prevaleceram, vieram o avanço das atitudes antiautoritárias e o colapso de instituições tradicionais. A guerra cultural tinha a tendência de se dirigir para uma posição de abertura.
Gitlin diz não ver quase nenhuma semelhança nem conexão entre 68 e 2008, o terreno cultural está muito diferente, aberto e diversificado e que não há nenhuma revolta cultural nos dias de hoje, a tradição política ficou muito diferente e que a tendência em direção à devoção cívica e a virtude republicana da população em geral pouco sobreviveu.

Ética & Responsabilidade Jornalistica outubro 17, 2008

Posted by joaopaulonevescabral in Textos e Artigos.
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Todo mundo um dia deve ter parado para pensar: Será que tudo que dizem na televisão é verdade? Poderiam os jornais nos limitar os fatos na hora de serem transmitidos? Será que estou sendo manipulado? Se você ligasse o rádio hoje em dia e ouvisse a notícia que o mundo estaria acabando, provavelmente, devido à diversidade de meios de  fontes de informação e tecnologia, não iria acreditar. Porém, há exatamente 70 anos, um jornalista americano chamado Orson Welles, imaginando até onde poderia chegar os limites da ficção e da realidade, resolveu pregar uma peça na população norte-americana.

Em 1938, em meio ao aprofundamento da Segunda Guerra Mundial, o mundo vivia um clima de muita tensão. As notícias dos conflitos ocorridos na Europa geravam certa incerteza e apreensão aos ouvintes sobre a postura norte-americana. Aproveitando-se desse contexto, Orson liderou um grupo de atores para trabalharem em seu plano: reproduzir como verdade, uma invasão alienígena à Terra. Inspirado num romance de H.G Wells, pai da ficção científica, o jornalista levou ao ar “ A Guerra dos Mundos”, transmitida pega CBS de forma peculiar. O programa foi transmitido em um formato puramente jornalístico. As transmissões mostravam eventos narrados ao vivo, com entrevistas e pausas precisas para que fosse passada certa apreensão aos ouvintes. Embora não passasse de uma novelização radiofônica, o episódio levou ao pânico 1,2 milhão de americanos, provocando fugas e uma onda de medo pelas ruas de algumas das principais cidades estadunidenses, como Nova Jersey e Nova York.

Citando esse caso com exemplo, podemos perceber quão destrutível pode ser uma noticia dada sem responsabilidade e ética. Um jornalista que publica material fictício, além de estar manipulando informação, está denegrindo a esfera pública, enganando pessoas, e ainda, pondo em risco a credibilidade de seu próprio veículo de comunicação. Esse é o caso do filme dirigido por Billy Ray baseado em fatos reais, “Shattered Glass”. A obra conta a história de Stephen Glass, um jovem jornalista talentoso que trabalhava numa conceituada revista americana. Stephen que sempre quisera um papel de destaque na empresa, deixa a ambição subir-lhe à cabeça e começa a fraudar artigos para alcançar prestígio. Os textos começam a gerar polemica, fazendo o editor chefe de Stephen investigar seus antecedentes. Ao descobrir que 27 dos 41 artigos foram forjados, o jovem foi despedido da revista.

Ao ter abordado a falta de ética, notamos a importância dela na carreira jornalística. Diferente da moral, que varia com o ponto de vista e se mistura com o caráter, a ética define o certo do errado e busca o bem-estar coletivo. Um jornalista que se preocupa com questões éticas tem papel fundamental na sociedade.

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